O Carteiro de Pablo Neruda (1994)

17:21

INTERPRETAÇÕESMassimo Troisi, Philippe Noiret, Maria Grazia Cucinotta 
DIRECTORMichael Radford | ANO: 1994 | NOTA7,1

Olá! É verdade! Há quanto tempo :P
Há mais de um mês que não publico nada aqui no blog e peço imensas desculpas mas tenho andado mesmo muito ocupada. De qualquer modo, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Vamos seguir em frente ;)
Hoje trago-vos a minha opinião do filme de Fevereiro para o projecto conjunto com a Chris - Pipocas | Óscares | Acção. Para este mês o escolhido foi o filme O Carteiro de Pablo Neruda, um filme italiano.


No ano de 1995 celebrou-se a 68ª edição dos Óscares, referente aos filmes de 1994, e foram cinco os nomeados para Melhor Filme. Curiosamente, este era o único nomeado deste ano que eu nunca tinha visto.


Vamos começar pelo vencedor do ano - Braveheart. Este é um drama histórico de guerra realizado e protagonizado por Mel Gibson e eu confesso-vos que este é um dos meus filmes preferidos de sempre. Adoro a história, as personagens e a banda sonora. Foi nomeado na altura para 10 Óscares e venceu 5.
Outro nomeado do ano que eu gosto muito é Sensibilidade e bom senso, a adaptação do livro de Jane Austen realizado por Ang Lee. Uma excelente adaptação que conta com grandes interpretações de Emma Thompson, Hugh Grant, Kate Winslet e Alan Rickman [RIP:(]. Mais um nomeado que gosto é o filme Apollo 13, um drama histórico espacial protagonizado por Tom Hanks e que toda a gente já viu hoje em dia :)
Por fim, temos o filme Um porquinho chamado Babe que considero um filme engraçado e fofinho mas que não considero um filme digno de Óscares.


Passando agora ao filme escolhido, O Carteiro de Pablo Neruda é um filme italiano baseado no livro com o mesmo nome do autor Antonio Skármeta.

«Il Postino» (título original) centra-se na figura do conhecido diplomata e poeta chileno, Pablo Neruda, forçado ao exílio do seu País e acolhido pelo governo italiano, e que se fixou na famosa ilha de Capri. Aí chegado o chefe dos correios local designou o pouco letrado Mário seu carteiro particular. Mário ganha lentamente a confiança de Neruda e entre ambos desenvolve-se uma aparentemente improvável amizade, que permite ao carteiro perceber que as palavras de um homem encerram a verdadeira natureza da sua alma.

Em primeiro lugar, tenho de vos confessar que este não era um dos filmes que eu estava mais entusiasmada para ver. Sempre tinha ouvido falar bem dele mas, não sei bem porquê, nunca me captou a atenção. Felizmente, foi um filme que gostei de ver e percebo porque é apreciado por tanta gente e chamou a atenção dos Óscares mesmo sendo um filme italiano.

A história gira em torno de Mario, um homem insatisfeito com a sua vida, que vive numa terra piscatória da ilha de Capri, e que acaba por se tornar o carteiro pessoal do famoso escritor chileno Pablo Neruda. Ao longo do filme, uma relação de proximidade e amizade vai se estabelecendo entre os dois e esta vai ter um grande impacto nas suas vidas. 

 

Algo que eu gostei de ver no filme foi como a relação entre os dois altera a vida dos dois, não só do carteiro. Mario é um homem simples e quase iletrado (interpretado na perfeição por Massimo Troisi) e a vinda de um autor tão aclamado e amado para a sua ilha abala o seu mundo. Este pequeno evento dá-lhe a motivação e encorajamento necessários para mudar a sua vida e querer ser "mais" do que era até agora. Mario sempre sentiu que não tinha nascido para ser pescador como o pai, e a amizade com Pablo Neruda desperta-lhe os sentidos para outras coisas bonitas da vida, como por exemplo a poesia. No entanto, Neruda também vai ser afectado pela amizade com Mario. Este encontra-se num período complicado da sua vida pois, graças às suas convicções políticas, foi forçado ao exílio e esta relação com Mario ajuda-o a enfrentar a tristeza e saudades que tem. A política acaba por ser também uma parte importante da história mas é abordada de uma forma mais subtil.


Outro ponto positivo do filme é a química entre os dois actores principais - Massimo Troisi e Philippe Noiret. São extremamente convincentes nos seus papéis e a relação entre os dois soa bastante autêntica. Os destaques finais vão para as belíssimas imagens da paisagem italiana, o final comovente e a excelente banda sonora de Luis Bacalov que acabou mesmo por vencer o Óscar.

 

Passando agora para os aspectos que gostei menos, tenho de destacar o ritmo do filme. Este é um filme de quase duas horas com um ritmo muitas vezes lento e que eu senti que se arrastou durante algumas partes. Senti que há certos momentos da história que demoram muito tempo a contar enquanto que outros poderiam ter sido melhor explorados. 
A relação amorosa também não me conquistou. Eu sei que aqui a principal relação é a do Mario e Neruda mas mesmo assim senti que deviam ter explorado melhor a interação entre a Beatrice e o Mario. Esta soou-me um pouco forçada de mais e acabei também por nunca sentir grande simpatia pela Beatrice.


Resumindo, este é um filme que nos mostra como as pessoas podem entrar de forma inesperada na nossa vida e podem mudar-nos para sempre. Realça também o poder da poesia e da cultura de uma modo geral. Vale a pena ver sobretudo pelas interpretações e imagens belíssimas da costa italiana.


Para finalizar, queria só partilhar um facto bastante triste que descobri após ver o filme. Segundo os relatos, Massimo Troisi sofria de problemas cardíacos desde nascença e logo no início das gravações ele acabou por desmaiar. Após observações, os médicos aconselharam Massimo a desistir do filme pois, apesar de estar estável, precisava de um transplante de coração. Contra as ordens dos médicos, Massimo quis continuar a gravar o filme pois amava o projecto e acabou por falecer no dia seguinte ao final das gravações. Foi nomeado postumamente para o Óscar de Actor Principal.



E vocês? Já viram este filme ou algum dos nomeados de 1994?

Opinião da Chris aqui

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