Alçapão, João Leal

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Título: Alçapão | Autor: João Leal
Editora: Quetzal | Ano de publicação: 2011 | Páginas: 297
★★½


Este foi um dos livros que eu comprei na feira do Livro do Livro deste ano. Comprei-o por causa do preço baixo (2,5 euros) e porque a capa e a sinopse me chamaram bastante a atenção. Além disso, o autor publicou recentemente um livro que me interessou e achei então que esta podia ser uma boa (e mais barata) introdução à escrita do autor.


Quando Rodrigo chega a S. João, percebe que vai ter de crescer depressa se quiser sobreviver ao violento código que rege a vida dos órfãos. A aparição de um novo e pouco ortodoxo padre traz-lhe uma visão de esperança que promete mudar tudo. Mas uma maldição familiar emerge do passado. Uma série de assassínios brutais vai arrastá-lo, a ele e a Jorge, o seu único amigo, para um lugar sobrenatural escondido atrás de um misterioso alçapão.Há séculos à deriva, os habitantes de Lothar, a ilha flutuante, pensam que são os únicos sobreviventes do Grande Dilúvio. No centro da ilha, numa árvore gigantesca, vive um anjo caído que é o seu deus. Um acontecimento, contudo, vai agitar o quotidiano e levar a que dois deles decidam partir.

É muito difícil definir este livro ou encaixá-lo numa categoria. Ele passa por uma mistura de uma variedade de géneros literários desde thriller, fantasia, ficção histórica e, de certo modo, até teologia. 
É também muito difícil dizer-vos qual o enredo da história. No fundo, acaba por ser um conjunto de três narrativas, em locais e com personagens diferentes, que ao princípio parecem não estar ligados entre si mas que, no final, acabam por se cruzar. Não é um "thriller fantástico carregado de suspense" como é descrito na capa e, sem dúvida, que isso influenciou um pouco as minhas expectativas em relação ao livro.

Alçapão desconcertou-me e provocou uma mistura de sentimentos. Se por um lado, gostei da dureza da primeira narrativa e da originalidade da segunda, a terceira deixou-me extremamente aborrecida e desapontada. Aquele final teve a capacidade de me levar a dar menos valor a tudo o que se tinha passado nos capítulos anteriores. 

Confesso que é um livro que aprecio melhor agora que o acabei e que olho para trás. Tenho de valorizar a imaginação e qualidade de escrita do autor. Tenho também de reconhecer que foi uma leitura prazeirosa até 2/3 do livro e que me consegui embrenhar na história, acabando por ler o livro rapidamente (ainda por cima eu que ultimamente ando a ler à velocidade de uma tartaruga).
Contudo, custa-me ignorar aquele final e os sentimentos que desencadeou em mim e, como tal, um livro que andava entre as 3 e 4 estrelas passou a ser um livro entre as duas e as três estrelas.

Concluindo, não sei bem a quem recomendar este livro. Talvez se gostam de uma mistura entre mistério, fantasia e mitologia, possam apreciar este livro mas, mesmo assim, não tenho a certeza. De qualquer modo, gostei da escrita do autor e fiquei com curiosidade para ler o Terra fresca, especialmente porque tem uma pequena ligação com este livro.



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