Semana 2, 3 e 4 | Filmes vistos #mcineverao

19:41

Olá a todos! Já venho atrasada para esta actualização mas tenho tido semanas bastante complicadas. Aqui fica a minha opinião de cinco dos seis filmes que vi para maratona #mcineverao.




NOTA: 7,4 | Ano: 2005 | Realização: Rian Johnson | [IMDB]
Brick é um filme neo-noir que conta a história de Brendan, um adolescente que decide investigar por conta própria o assassinato da sua ex-namorada. Achei extremamente original a forma como a história é contada, como se fosse um dos filmes antigos de detectives, do género noir. O ambiente é tenso e o enredo está cheio de mistério, traições e desilusões amorosas. É realmente muito interessante identificar todos os elementos de um filme noir num background mais moderno. Rian Johnson está de parabéns pelo enredo e realização pois criou um filme único.
Joseph Gordon-Levitt está espectacular e reforça mais uma vez a noção que sempre tive de que ele é um excelente actor (e para sempre a minha crush de adolescente:P). Há também boas interpretações das personagens secundárias.
O único contra do filme é a linguagem usada - uma espécie de mistura entre um dialecto próprio de adolescentes e uma linguagem mais policial - que é um pouco difícil de acompanhar, especialmente porque as personagens falam muito rápido.
De qualquer modo, foi um bom mistério que eu recomendo, especialmente para quem gosta de filmes noir.

NOTA: 7,0 | Ano: 1940 | Realização: William Wyler | [IMDB]
The Letter é um filme que decorre em Singapura e conta-nos a história de Leslie (Bette Davis), a mulher de um administrador de uma plantação de algodão, que mata um homem a sangue frio e que alega que foi em legítima defesa.O enredo é baseado num conto de Sommerset Maugham.
Algo que eu gostei muito neste filme foi o facto de ele abrir logo com o assassinato; nós vemos logo que realmente a Leslie matou aquele homem, a questão é "porquê?". A interpretação de Bette Davis é bastante boa, talvez um pouco dramática demais em certos momentos mas, mesmo assim, acredito que esse dramatismo é essencial para nos deixar logo com a sensação de que algo não está bem. Ao longo do filme acompanhamos, sobretudo, o percurso do advogado na defesa da sua cliente (que é complicada graças a uma carta) e as consequências desta defesa. 
O enredo é interessante mas um pouco previsível em certas partes. É compensado pelas boas interpretações e por uma boa dose de humor, associada sobretudo a uma personagem. Destaco também a realização/cinematografia (especialmente a cena de abertura) e o toque oriental que colide com os valores ingleses.
O filme é bom mas, para mim, foi prejudicado seriamente pelas suas cenas finais, que pareceram intermináveis e um pouco melodramáticas demais. De qualquer modo recomendo para quem gosta de filmes noir e sobretudo para quem gosta da Bette Davis.

NOTA: 8,0 | Ano: 1986 | Realização: Jimmy Murakami | [IMDB]
Este é um filme de animação que queria ver há imenso tempo e finalmente tive oportunidade de o ver na Cinemateca num ciclo dedicado ao David Bowie (responsável pela canção principal do filme). Ele conta-nos a história de um casal idoso que vive no campo em Inglaterra, que se encontra numa espécie de guerra fria com a Rússia. Um dia, o senhor Jim volta da biblioteca com uns panfletos preparados pelo Governo para ajudar as pessoas a preparem-se para a guerra nuclear iminente e ele decide que eles devem seguir as instruções dos panfletos.
Gostei muito deste filme e conseguiu surpreender-me. Achei-o divertido, muito ternurento e também extremamente triste. O casal soou-me bastante genuíno e é um retrato convicente da maioria da população mais idosa. As suas interacções enquanto casal fizeram-me rir muitas vezes e adorei também as constantes comparações que eles fazem entre a guerra que está a decorrer e a II Guerra Mundial e o facto de eles se lembrarem dessa época, às vezes, com alguma nostalgia. 
A animação foi algo que me surpreendeu e agradou muito porque mistura vários tipos de ilustração, tanto 2D como 3D.
Concluindo, recomendo muito este filme pois consegue abranger com sucesso vários registos (cómico e trágico) e faz-nos reflectir no quão devastadora a guerra é.

NOTA: 7,7 | Ano: 1968 | Realização: Anthony Harvey| [IMDB]
The Lion in winter é um filme baseado numa peça de James Goldman, que conta a história ficcional do dilema de sucessão do rei Henry II de Inglaterra (Peter O' Toole). Todos os seus três filhos - Richard Lionheart (Anthony Hopkins), Geoffrey (John Castle), John (Nigel Terry) - querem o trono e ele e a sua mulher - Eleanor of Aquitaine (Katharine Hepburn) - não estão de acordo quanto ao herdeiro.
Um dos pontos fortes deste filme é, em primeiro lugar, o diálogo. Todo ele é extremamente inteligente e permite a criação de cenas muito poderosas. O outro é as excelentes interpretações da maioria do elenco. Adoro Katharine Hepburn e aqui ela esteve genial (até ganhou o Óscar), conseguindo ser vulnerável em certas alturas e extremamente forte e astuta noutras. No entanto, a minha interpretação preferida (e que me surpreendeu porque não sou grande fã do actor) foi a de Peter O' Toole. A química entre os dois é também perfeita. Destaco também, pela positiva, as interpretações de Anthony Hopkins e Timothy Dalton (se não me engano foi o primeiro grande filme de ambos!). Pela negativa, destaco a interpretação de Nigel Terry. Sempre o achei um mau actor no filme Excalibur e aqui também não me agradou. Eu sei que a personagem do príncipe João é suposto ser fraca e burra mas achei a interpretação demasiado forçada e patética.
Algo que também apreciei bastante no filme foi o facto de ele não "glamorizar" (acho que inventei uma palavra) os castelos e as condições presentes no século XII: todos os aposentos são relativamente simples e toda a envolvente é bastante suja e deprimente.
Recomendo bastante para quem quer um drama medieval repleto de intrigas e personagens marcantes.

NOTA: 7,5 | Ano: 1982Realização: Sidney Lumet | [IMDB] 
Este filme conta-nos a história de Frank Galvin, um advogado que, vê no acto de levar para tribunal um caso de malconduta médica, em vez de aceitar um acordo, uma oportunidade para salvar a sua carreira e amor-próprio.

Esta sinopse dá a ideia que este é mais um filme de drama em tribunal repleto dos típicos clichés do género mas ele acabou por me surpreender. Achei-o um filme bastante despretencioso, com um ritmo mais lento do que é costume no género, e que se foca bastante no papel dos advogados, júri e juiz. Não é um filme que se concentra tanto na resolução do caso mas mais em como cada elemento pode influenciar a decisão final. 

Gostei também bastante da personagem do Paul Newman pois soou-me bastante autêntica; Newman conseguiu transmitir bem a ideia de um homem deprimido, um advogado que tem muitas falhas e que quer dar o seu melhor. O enredo foca-se bastante no percurso da sua personagem e acho que Paul Newman esteve excelente. Sem dúvida, uma das melhores interpretações da sua carreira.

Acredito que não é um filme para todos, especialmente devido ao seu ritmo, mas se gostam de filmes mais introspectivos dentro do género, recomendo este sem dúvida.


E vocês? Já viram algum destes filmes?
Como vai a maratona?





Sugestões

0 comentários