diário de leituras

5.11.2016

O Pimpinela Escarlate, Baronessa Orczy


Título: O Pimpinela escarlate (The Scarlet Pimpernel) | Autor: Baronessa Orczy
Editora: Bantam Classics | Ano de publicação: 1905 | Páginas: 306
★★★½

Os meses de Fevereiro e Março foram muito difíceis no que diz respeito a leituras. Acabei por começar vários livros e nunca os acabei...ou por falta de tempo ou de interesse. Assim, em Abril acabei por decidir que devia pegar num livro pequeno, leve e de aventuras porque geralmente este tipo de livros ajuda-me a sair das ressacas literárias. E o escolhido acabou por ser The Scarlet Pimpernel que é o primeiro de uma série de aventuras com o mesmo nome.

O Pimpinela Escarlate, Baronessa Orczy

5.11.2016

1.27.2016

Se isto é um homem, Primo Levi

Título: Se isto é um homem | Autor: Primo Levi
Editora: Colecção Mil folhas - Público | Ano de publicação: 1947 | Páginas: 190
★★★★★

Neste clássico da literatura contemporânea, Primo Levi dá um testemunho pungente de uma tragédia que afetou milhões de pessoas. Considerado o mais belo livro já escrito sobre a existência massacrada dos judeus deportados, É isto um homem? Não é, no entanto, um relato carregado de ódio e vingança. Desprovidos de saúde, os judeus nos campos de extermínio dificilmente poderiam ser identificados com os homens que eram antes da tragédia. Muito menos seus algozes sem rosto, senhores de escravos, mas sem vontade própria, num campo de morte onde ela, afinal, era o menor dos males.

Hoje é o Dia Internacional da Lembrança de Holocausto e, como tal, achei que seria adequado publicar hoje a minha opinião deste livro. Vai ser uma opinião curta e bastante básica! Não há muitas palavras que consigam expressar o quão importante e intenso é este livro.

Primo Levi foi um químico e escritor italiano que esteve preso no campo de concentração de Auschwitz durante mais de um ano e Se isto é um homem é, então, o relato da sua experiência enquanto prisioneiro. Neste livro, Levi descreve, na primeira pessoa, o que passou desde que foi capturado pela milícia fascista em Itália e deportado para o campo de concentração até à chegada das tropas russas.

Este é um relato cru, duro e deprimente das condições de vida dos prisioneiros e do que eles faziam para sobreviver. Acima de tudo, Levi foca-se na questão da humanidade; no quão cruel pode ser o Homem e quão profundamente foram aquelas pessoas desumanizadas, quão rapidamente perderam a sua identidade. O autor procurou não apenas registar as suas memórias mas reflectir também sobre a condição humana e, no fundo, dar a conhecer a natureza humana em situações extremas.


Acima de tudo, gostei do tom que o autor usou na sua escrita. Não se deixou levar por uma abordagem auto-comiserativa, optando sim por uma descrição objectiva e honesta da luta pela sobrevivência. O tema é pesado mas achei a leitura bastante fluida.

Concluindo, este é um livro incontornável para quem quer saber mais sobre a terrível experiência dos campos de concentração, num relato em primeira mão. Deixo-vos com um excerto do poema de abertura do livro que reflecte bastante bem o conteúdo do mesmo:

“Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não
Considerai se isto é uma mulher
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
(...)
Recomendo-vos estas palavras
Esculpi-as no vosso coração”



Esta publicação faz parte da iniciativa especial Leituras do Holocausto



Se isto é um homem, Primo Levi

1.27.2016

1.25.2016

O Feiticeiro e a Sombra (#1 Ciclo de Terramar), Ursula K Le Guin

Título: O Feiticeiro e a Sombra | Autor: Ursula K Le Guin
Editora: Penguin Books | Ano de publicação: 1968 | Páginas: cerca 200
★★★½


Ursula K Le Guin é uma figura incontornável na fantasia, e especialmente, na ficção científica e sempre achei que era uma grande falha minha nunca ter lido nada da autora. 
Finalmente, após tanto tempo estreei-me na autora! No início de Janeiro retirei um papelinho do meu TBR jar e o livro seleccionado foi o "The Earthsea quartet", a tetralogia de fantasia juvenil da autora. Hoje trago-vos a opinião do primeiro livro da tetralogia - O Feiticeiro e a Sombra.

Numa terra longínqua chamada Terramar vive o maior de todos os arquimagos. O seu nome é Gued, mas há muito tempo atrás, ele era um jovem chamado Gavião, um ser estranho, irrequieto e sedento de poder e sabedoria, que se tornou aprendiz de feiticeiro. Neste livro conta-se a história da sua iniciação no mundo da magia e dos desafios que teve que superar.

Tenho de começar por dizer que esta saga é considerada uma saga juvenil mas eu penso que também se adapta a um público adulto. No entanto, tenho de admitir que as falhas que eu encontro no livro estão muito associadas às características de um livro juvenil. Mas já lá irei...vamos começar pelos pontos positivos.

Este livro decorre num local imaginário chamado de Arquipélago, um local cheio de pessoas com culturas e aspecto muito diferentes, onde os feiticeiros têm sobretudo um papel de protecção e ajuda à população. Portanto, o local onde decorre a história é logo uma componente muito interessante mas, aquilo que ainda é mais empolgante, é o sistema de magia do livro. Aqui a magia reside essencialmente no poder das palavras pois só consegues controlar ou modificar as coisas e pessoas quando as sabes nomear verdadeiramente. É realmente um sistema de magia muito imaginativo e cativante. Além disso, também temos aqui uma academia de magia que acredito que tenha influenciado de algum modo a criação de Hogwarts pela J.K. Rowling.

Algo que apreciei também bastante no livro foi a jornada do nosso herói que foi tanta física como interior. Tipicamente, os nossos heróis juvenis são sempre bons e têm apenas que descobrir como utilizar o seu poder para destruir o mal. Aqui, o nosso herói é um jovem ambicioso e algo invejoso que vai ter de lidar com as consequências dos seus erros. Como tal, o livro consegue transmitir mensagens importantes ao longo da história de forma bastante natural e acessível.

Os meus últimos destaques positivos vão para a diversidade racial das personagens e prosa cuidada e algo lírica da autora.

Passando então aos pontos negativos. Essencialmente, o que eu senti foi que as aventuras foram pouco exploradas e que rapidamente os problemas que o protagonista enfrentava eram resolvidos. Gostava essencialmente que o mundo e a magia tivessem sido mais aprofundados. No entanto, tal como disse em cima, penso que este estilo narrativo é algo muito associado à literatura juvenil. Um livro de fantasia adulta teria investido mais no world building.

De qualquer modo, foi uma leitura muito agradável e que me entreteve bastante. Acho que foi uma boa introdução à autora e fico feliz por ainda existirem livros que decorrem neste mundo de fantasia para ler.


  Linked:

1 | Restantes livros da tetralogia Ciclo de Terramar
na prateleira/ler

2 | A mão esquerda da escuridão, Ursula K Le Guin (1969): a comprar/ler
3 | Os Despojados, Ursula K Le Guin (1974): volume 1 na prateleira; volume 2 a comprar /ler ambos


O Feiticeiro e a Sombra (#1 Ciclo de Terramar), Ursula K Le Guin

1.25.2016

1.17.2016

Olhai os lírios do campo, Erico Veríssimo

Título: Olhai os lírios do campo | Autor: Erico Veríssimo
Editora: Livros do Brasil | Ano de publicação: 1938 | Páginas: 283 
★★★


Comprei este livro o ano passado num alfarrabista que me vendeu por 15 euros um conjunto de 5 livros do Erico Veríssimo. Já há algum tempo que tinha vontade de o comprar (na edição do Clube do Autor) e, como tal, não deixei passar a oportunidade. Como os outros livros que adquiri do autor são os pertencentes à saga familiar O Tempo e o Vento resolvi começar por este livro único. Acabou por encaixar na perfeição com o tema da Maratona dos Reis que decorreu no início de Janeiro.

Eugênio Pontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a viver as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, Olhai os Lírios do Campo é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida.

Como já referi anteriormente, este livro foi a minha estreia com Erico Veríssimo e considero que foi uma experiência positiva. Olhai os Lírios do Campo é um livro simples, acessível e fácil de se ler acabando por ser uma boa introdução à escrita e estilo do autor.

Este livro está dividido essencialmente em duas partes (na prática são três). Na primeira parte, vamos conhecendo a vida do nosso protagonista, desde a sua infância pobre até ao momento actual, em que ele é médico e casado com a filha de um aristocrata. A segunda parte tem início com um evento em particular que marca profundamente Eugenio (não vou revelar qual para não dar spoilers) e que o leva a alterar o seu modo de vida, sendo esta uma parte mais introspectiva.

Gostei especialmente da primeira parte, em que existem constantes saltos temporais entre o passado e o presente, que o autor consegue executar bem e de forma fluida e cativante. A história do menino pobre que é criado com muito sacrifício dos pais já não é uma história "nova" mas acho que é bem desenvolvida no livro, apresentando algumas passagens marcantes. A segunda parte para mim não foi tão bem sucedida. As temáticas abordadas continuam a ser as mesmas - ambição, orgulho, religião, humanidade, amor, hipocrisia da sociedade - mas deixam de ser tão subtis. Senti que o autor estava a tornar-se repetitivo e pregando um pouco demais. Isso tornou os capítulos finais mais cansativos e aborrecidos.

Gostei da evolução do Eugenio na história mas a maioria das personagens não me cativou. Destaco, contudo, a Olívia, o interesse romântico da personagem principal. Apesar de não admirar na totalidade a sua devoção religiosa, gostei de ver uma personagem feminina que tem ideais fortes e cuja vida não girou em torno de um homem.


Concluindo, este é um livro com uma mensagem atemporal, que convida à reflexão sobre os valores autênticos da vida, mas que peca por ser, por vezes, demasiado moralista. Foi uma boa introdução ao autor mas espero ser mais arrebatada e surpreendida pela saga O Tempo e o Vento.



  Linked:


1 | trilogia O Tempo e O Vento, Erico Veríssimo (1949)

na prateleira/ler
2 | Incidente em AntaresErico Veríssimo (1971): a comprar/ler


Olhai os lírios do campo, Erico Veríssimo

1.17.2016

11.25.2015

Stolen, Lucy Cristopher


Hoje resolvi trazer-vos a opinião do último livro que li: Stolen de Lucy Christopher. Eu li este livro em conjunto com a Chris do Diário da Chris e infelizmente desiludimo-nos as duas com a sua leitura.

Gemma é uma adolescente normal esperando para pegar um voo no aeroporto de Bangkok com seus pais. Ao se afastar, conhece o charmoso e envolvente Ty, e nem imagina quais são suas reais intenções… Ele lhe oferece um café em que coloca algum tipo de droga. Confusa, ela é sequestrada e arrastada para o meio do deserto australiano. Ele a rouba para si, depois de anos a observando, e ainda espera que ela o ame. Os dias se passam e eles têm apenas um ao outro na imensidão vazia e escaldante do deserto, e Gemma começa a entender e conhecer Ty. É aí que os limites entre inimizade e compaixão vão ficando cada vez mais tênues… 

Stolen, Lucy Cristopher

11.25.2015

11.13.2015

Jardim dos segredos, Kate Morton

Título: Jardim dos Segredos (The forgotten garden) | Autor: Kate Morton
Editora: Livros Bolso 11x17 | Ano de publicação: 2008 | Páginas: 672 
★★★★½

O Jardim dos Segredos de Kate Morton foi o primeiro livro que li em Novembro e o primeiro livro da autora que eu li. Já há bastante tempo que este livro me tinha sido recomendado por vários leitores do mundo da blogosfera literária e durante muito tempo andei à procura deste livro na edição de bolso e nunca o encontrava. Quando finalmente o encontrei, não sei porquê, acabei por perder o interesse nele. Mais de 6 meses após a sua compra lá decidi o ler porque achei que combinava na perfeição com esta estação do ano. E valeu a pena :)

Jardim dos segredos, Kate Morton

11.13.2015

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